Maternidade solo: entre a romantização e a sobrecarga


Ludmila Magalhães

por Ludmila Magalhães

14/09/2021
Maternidade solo: entre a romantização e a sobrecarga

A família e o valor que ela possui se deve ao fato de que é o primeiro grupo social que fazemos parte, a família como o lugar em que nascem os traumas mais profundos, as alegrias mais intensas e, sem dúvida, os primeiros passos em direção à sociedade. Neste sentido, é preciso entender qual é a realidade da família brasileira. Dessa forma, estamos falando também de valores, ideias e projeções, afinal é o ponto de partida de cada indivíduo.

Contudo, é preciso atenção para não perder de vista os fatores objetivos a exemplo daqueles que constituem o cerne da família, os membros que a integram. Partindo dessa perspectiva, é fato tangível a questão do abandono parental, o lugar da ausência marcado em tantos lares. Levando em consideração o ano corrente (2021), já estamos estatisticamente em 6,3% dos que possuem apenas o nome da mãe no registro de nascimento. Essa porcentagem certamente aumentaria consideravelmente se levássemos em consideração o abandono financeiro e /ou afetivo.

Logo, é possível observar que a maternidade solo se apresenta como a realidade de muitas famílias. Tão violento e doloroso quanto o abandono paterno, é a invisibilização de tais arranjos familiares. Por isso a importância de falar sobre as necessidades e particularidades que atravessam a relação entre mães e filhos nesta condição específica. 

Ainda considerando que o papel de pai, assim como tantos outros papéis importantes para o desenvolvimento humano, na prática é realizado por outras pessoas (mães, avós, avôs) que sem alternativa acabam acumulando funções. É importante ressaltar que mesmo existindo uma rede de apoio, na maioria das vezes são as mães que acabam arcando com as demandas financeiras, materiais, afetivas e emocionais. Consequentemente cabe a essas mães lidar com uma imensa sobrecarga, visto que são muitas demandas. Desta forma, é indispensável pensar na saúde mental dessas mulheres e nos desdobramentos que tamanha sobrecarga traz para elas e para o relacionamento com os filhos.

Exigir perfeição das mães é tarefa impossível, ideal é que sejam suficientemente boas. Quando falamos de mães solo, é preciso redobrar a atenção neste aspecto. Desse modo, não é incomum a exaustão e o cansaço que podem desembocar em tantas outras questões que dialogam com o contexto em que a família está inserida.

Necessário frisar que não se trata de mais uma exigência para mães solo (que já são tão cobradas), mas retornar ao ponto em que não é possível uma pessoa só dar conta de criar um indivíduo. Algumas vezes, ainda muito cedo, as crianças desenvolvem aguçado senso de responsabilidade, visando mais uma vez ocupar um lugar daquilo que falta. A culpa também pode aparecer ainda na infância ou depois, fruto de uma divisão entre o que devo e o que posso fazer.

Que a saúde da mãe interfere diretamente na saúde dos filhos já é fato amplamente difundido. Mas se tratando de saúde mental, essa afirmação não deve vir solta no tempo e espaço, caindo no risco de reafirmar velhas e desgastadas desresponsabilizações, sobrecargas e romantizações perversas. Pelo contrário, deve vir acompanhada de um senso de responsabilidade visando que cada adulto desempenhe seu papel ao longo do desenvolvimento.

 

Ludmila Magalhães - CRP: 03/21162

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