Entrevista - Patricia Costa


Patricia Costa

por Patricia Costa

21/02/2022
Entrevista - Patricia Costa

Recentemente, o surfista Pedro Scooby, um dos participantes do Big Brother Brasil 22, afirmou já ter batido no rosto do filho mais velho. O participante afirmou que isso ocorreu pelo fato de a criança ter “dado uma resposta atravessada” ao pai.

Diante dessa fala, vários psicólogos se manifestaram a respeito das agressões físicas em crianças. De acordo com esses especialistas, agredir fisicamente uma criança pode ensiná-la que a violência é uma linguagem de amor.

Para falar sobre isso, nós convidamos a profissional Patricia Costa, que atende também adolescentes.

 

Qual a sua abordagem?

Sou psicóloga clínica. Atendo adolescentes e adultos no individual, casal, família e grupos. Sou orientada, principalmente, pelas abordagens Sistêmica e TCC.

 Qual o seu posicionamento acerca dos pais que “educam” seus filhos através de agressões físicas e morais?

As relações "filhos/ cuidadores" e o desenvolvimento socioemocional desses menores de idade são um dos meus temas preferidos de estudo.

As práticas educativas de cuidadores para com os filhos quando são violentas tendem a apresentar nessas crianças e adolescentes diferentes sinais e sintomas, como: uso e abuso de drogas, transtornos depressivos e da ansiedade, relações sociais com gangues que realizam crimes na adolescência, além de praticarem ou serem vítimas de bullying no colégio etc.

Portanto, o estilo de educação parental autoritário, em que os cuidadores fazem exigências, monitoram e punem crianças e adolescentes de maneira desequilibrada, sem incluírem a responsividade (acolhimento afetuoso), é adoecedor. O autoritarismo na família deve ser identificado e trabalhado, para que se transforme em uma autoridade saudável, que usa de forma mais equilibrada as práticas de monitoramento e punição em conjunto com práticas de acolhimento e carinho.

 Quais os temas mais recorrentes em seu consultório?

 Sem dúvida, as relações humanas.

Qual o conselho você daria para os pais que têm filhos saindo da fase infantil e chegando na fase da adolescência?

A adolescência em si é um período crítico para o ser humano, tanto na questão biológica como na psicológica.

No corpo, o adolescente sente o desenvolvimento do sistema reprodutivo - a puberdade. As alterações hormonais envolvidas nesta maturação dos órgãos reprodutores faz com que adolescentes possam ter alterações de humor. As garotas podem sentir as “TPMs”. Os corpos adolescentes mudam de acordo com cada indivíduo, como o alargamento dos ombros, o crescimentos dos pelos e o engrossamento da voz nos garotos, e o alargamento dos quadris e o aumento dos seios nas garotas.

No psicológico, como o adolescente - da cultura ocidental - passa por uma fase de preparação para a vida adulta, provavelmente fará a pergunta "Quem sou eu?". E buscará, juntamente com a família e demais membros da sociedade, responder essa questão fundamental.

É a partir da busca (consciente ou não) das respostas para a pergunta "Quem sou eu?", que adolescentes irão se comparar com outros adolescentes, com influenciadores em redes sociais, filmes e séries de TV, refletir sobre o futuro profissional, pensar sobre posicionamentos políticos e religioso, sentir e expressar a sexualidade, dentre outros.

Portanto, a minha sugestão para cuidadores (pai, mãe, padrastos, avós, tios, funcionários da casa, vizinhos - pessoas que cuidam e orientam o/a jovem) é que pesquisem o tema adolescência através de especialistas em psicologia, psiquiatria e pediatria. Se abram para o novo e busquem se conectar ao mundo do adolescente, respeitando as diferenças. Cumpram seus papéis de cuidadores e responsáveis, zelando pela saúde emocional e física dos jovens, mas escutando-os e fazendo acordos. Punam os acordos não cumpridos sem humilhá-los, violentá-los, desvalorizá-los, desampará-los ou fazendo-os sentir-se não amados. Justifiquem as punições com argumentos lógicos, racionais, apresentando a quebra do acordo e possivelmente da confiança. Dialoguem desde o início da infância. Provavelmente na adolescência a prática da conversa na família já será um hábito.

 Qual mensagem você deixaria para quem é pai ou mãe?

Sabe-se que a realidade da rotina do dia a dia nem sempre permite que a educação de crianças e adolescentes por seus cuidadores seja com conversas que equilibram argumentos racionais e afetuosos. Mas a perda de controle e o uso de práticas autoritárias não garantem a autoridade de cuidadores em relação às crianças e adolescentes. Ou seja: autoritarismo e autoridade são diferentes.

Há cuidadores que possuem autoridade fortalecida junto às pessoas de cuidado, sem fazer o uso das práticas violentas, como gritos frequentes, tapas e beliscões, castigos com maus-tratos, exposição social com humilhação etc.

Autoridade se constrói estabelecendo limites claros, com punições justificadas e lógicas.

Em momentos de sofrimentos da criança e do adolescente, é necessário que estes se sintam amparados, acolhidos.

O adulto socioemocionalmente mais saudável foi provavelmente uma criança e um adolescente que recebeu educação de seus cuidadores, que estabeleciam limites com combinações claras de regras e punições justas. Foi a criança e o adolescente que foi acolhido em momentos de angústia e dor.

 

Patricia Costa - CRP: 03/20297

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